A importância do jogo na aprendizagem

O período da infância está intimamente ligado à brincadeira e aos jogos. Todos nós já tivemos momentos em que o jogo era uma excelente fonte de prazer, e sem dúvida que estas constituíram uma rica experiência de vida, contribuindo assim para o nosso desenvolvimento quer a nível social quer cognitivo. Essa é a regra que perdura até aos dias de hoje, crianças de todas as idades demonstram gosto pelo lúdico e pelos jogos.

Conhecer o universo humano é reconhecer que o fazer depende necessariamente de um corpo em ação, um corpo que sente, age, reage e constrói. Essa ação é exercida pela criança desde o nascimento, porque a criança nasce a brincar, quando transforma o seu corpo no seu primeiro brinquedo, o que a torna autora e criadora desse movimentar pela intuição, imaginação, significação e/ou simbologia. Desta forma, o jogo assume uma contribuição indispensável para o universo infantil, já que este conduz a criança ao conhecimento de tudo o que a rodeia de uma forma tranquila, consolidando o seu desenvolvimento através das experiências vividas, sentidas e incorporadas.

O brincar é a linguagem pela qual as crianças estabelecem a comunicação e alimentam seus primeiros vínculos.

O brincar de hoje está condicionado pelas constantes transformações e apelos do mundo moderno, que impõem um consumo exagerado de brinquedos eletrónicos, que acaba por favorecer o individualismo e o sedentarismo. Não que o brincar de hoje seja de toda a forma ou integralmente “mau”, uma vez que promove a que a criança comece a adquirir algumas competências. Mas, no que diz respeito à criatividade, à motricidade e à sociabilidade “deixa muito a desejar“. Em contrapartida, o brincar de ontem é um constante desafio para a criança, porque lhe permite múltiplas competências, gera uma aprendizagem mais integral e, nesse contexto, quem faz é o próprio corpo, quem pensa é também o corpo. As produções físicas ou intelectuais são, portanto, produções corporais. Produções estas que se dão nas interações da criança com o mundo.

O uso de jogos e curiosidades ajuda a fazer com que os estudantes gostem de aprender e se tornem mais envolvidos na aula. O jogo pode ter uma utilização pedagógica com uma linguagem universal e um poder robusto de significação nas estratégias de ensino-aprendizagem. A existência de ambientes lúdicos em situações de aprendizagem escolar permite que as crianças obtenham mais facilidade em assimilar conceitos e linguagens progressivamente mais abstratos. Os estudos de investigação têm demonstrado que as crianças que foram estimuladas a partir de contextos lúdicos obtêm maior sucesso e adaptação escolar de acordo com os objetivos pedagógicos perseguidos.

Os jogos como estratégias pedagógicas possuem desde logo vantagens na motivação, mas também no trabalho de equipa, no aproximar de relação professor-aluno, na prática de resolução de problemas, evita a monotonia e é uma atividade prazerosa.

Qualquer criança vê nos jogos uma atividade de prazer. Se o professor integrar jogos nas suas atividades de sala de aula estas serão certamente vistas como uma grande motivação por parte dos alunos. O ato de jogar pode melhorar a forma como os nossos alunos aprendem, interagem e estabelecem a relação com o conteúdo de uma aula, proporcionando assim uma aprendizagem para além do currículo.

Jogar na sala de aula é uma maneira eficaz de evitar a monotonia, tendo sempre aliados os benefícios educacionais. Os jogos podem motivar e envolver os alunos, aumentando a sua interação com a matéria e conhecimento a ser adquirido.

O sucesso dos jogos de sala de aula requer em muitas situações a resolução de problemas. Para ganhar, os alunos devem descobrir uma resposta, ou lidar com um quebra-cabeça. Quando os professores colocam os alunos em contacto com os jogos, estão oferecer-lhes a oportunidade de praticar e aprimorar suas habilidades para resolver problemas/situações. Quanto maior for a prática e o contacto com problemas complexos, maior e melhor ficará o seu pensamento crítico.

Enquanto alguns jogos são atividades solitárias, muitos requerem trabalho em equipa. Este é bastante útil para uma série de situações. Ao permitir que os alunos participem no jogo, os professores estão a fornecer-lhes a oportunidade realizar um trabalho cooperativo. Através do jogo, e para funcionar efetivamente como uma equipa, os alunos aprendem a manter o respeito e a trabalhar de forma esforçada para chegar a uma conclusão ou resolver um problema.

O ensino focalizado na oralidade onde o aluno é pouco ativo e o professor é o elemento central, foram muito usados no ensino ao longo dos séculos, no entanto estas ferramentas não são as mais eficazes para se criar uma boa relação entre alunos e professores. Os jogos são atividades que proporcionam e promovem o envolvimento entre alunos, dos alunos com o professor e destes com a aula em si.

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