Aprender a fracassar

Experimentar, errar, acertar, tentar, desiludir, fracassar,…,são partes integrantes da aprendizagem. Aprender implica avanços e retrocessos, sucessos e fracassos, alegrias e desilusões, conseguir ou fracassar.

É tão importante aprendemos com o fracasso como melhorarmos com o sucesso. Por certo que o sucesso nos traz mais alento, maior motivação, aumento da auto-estima. O fracasso não. Por isso é tão importante que se aprenda a reagir a situações adversas de insucesso e fracasso. Saber reagir e aprender com os erros é fulcral para que a nossa auto-estima e autoconceito não sejam denegridos.

 

Winston Churchill, o conhecido estadista e historiador britânico, já referia que “O sucesso consiste em aprender a prosseguir, de fracasso em fracasso, sem desesperar-se”.

Todos nós já fracassamos, muitas ou poucas vezes ninguém poderá dizer que nunca fracassou. É natural da condição humana e do processo de aprendizagem.  Vencer é aprender a fracassar. O sucesso na vida consiste em saber enfrentar os inevitáveis fracassos do quotidiano.

As frustrações, as contrariedades, os contratempos, as desilusões,…, contribuem para a nosso favor. O fracasso evidencia as nossas limitações, mas o tempo oferece-nos a possibilidade de aprendermos a superar as dificuldades e de darmos e melhor de nós. Não desanimando, não desistindo! Como dizia Quevedo, “quem, nesta vida, quer todas as coisas ao seu gosto, terá muitos desgostos”.

Ajudar a criança a reagir às suas desilusões e aos seus fracassos é de importância acrescida desde cedo. É certo que vão errar, que se vão desiludir e fracassar, mas é importante não as contermos numa redoma de cristal que não pode estalar! É importante que as crianças vivenciem as situações, que experimentem, que ajam, sem receios. Cabe ao adulto amparar, conter, securizar para avançar novamente sem receios. Quando se trata de educar os filhos, é muito importante não deixar cair em nenhuma espécie de “neurose” perfeccionista.

Assistimos de forma contínua a profissionais desistirem e abandonarem carreiras profissionais ou estudantes a desistirem de cursos nas primeiras reprovações. Rapazes e raparigas que fracassam o primeiro namoro e que estas situações lhes assombram a vida por muito tempo. Certamente que fracassar em áreas importantes para a nossa identidade como a afectiva ou a profissional acarreta sempre sequelas, mas não é o fim.

As situações mais difíceis são aceitar que falhamos em algo que para nós tem importância. Que um relacionamento em que apostávamos, fracassou. Que fomos tivemos uma avaliação negativa num teste importante, que falhamos um golo no jogo decisivo,…A aceitação do fracasso é o primeiro passo, e o confronto com o fracasso superado precoce é fundamental. A não-aceitação do fracasso leva-nos à uma busca incessante pela perfeição, que não existe. É bom ser-se perfeccionista, mas não querer ser-se perfeito.

Lidar com a situação desagradável de ter fracassado é custoso para as crianças. Se repararmos no percursos posterior, constatamos que a não-aceitação do fracasso conduz a uma ferida, uma mágoa, muitas vezes escondida mas viva, que vai provocando ressentimentos, medos e inseguranças. Esconder o fracasso, a dor, a mágoa, só as torna maiores, mais fortes e complicados. Promova diálogo com os seus filhos para que falem das suas emoções, do que sentem quando fracassam e ajude-os a superar essas dificuldades em enfrentar situações semelhantes. Admitir o fracasso mostra coragem para enfrentar mudanças, que são necessárias para aprender e evoluir.

O foco fundamental é tentar ir evoluindo, até onde nos for possível, incorporando o fracasso como uma etapa da vida, como uma experiência de aprendizagem.

O maior dos fracassos é deixar de se fazer as coisas por medo de fracassar. Viva!

Renato Paiva
Autor:

Professor e Diretor da Clínica da Educação

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