O Luto ou Perda

Quando abordamos a questão do Luto, por vezes, esquecemo-nos das nossas crianças e de como elas podem fazer o seu próprio luto. No contexto da infância falamos de perda.

A perda de alguém é sempre um momento difícil de ultrapassar, mas felizmente as nossas crianças são surpreendentes e inspiradoras e são elas que, muitas vezes, levam os adultos a encarar este período de forma menos dolorosa.

Para a criança, a perda não está ligada somente ao luto, mas também a um divórcio, a um emprego longe de casa, ou até à ausência de um animal de estimação. As emoções envolvidas neste processo são mais que muitas: a revolta, a tristeza, a dor da ausência do outro, todas estas emoções são sentidas pelo adulto, mas também pelas crianças.

É muito difícil para um adulto aceitar falar sobre o assunto, principalmente com crianças. A forma como abordar a questão, o que dizer e como dizer. Nunca haverá uma hora indicada, nem uma receita certa, mas existem algumas estratégias que podem facilitar o processo.

Esta questão da finitude da vida é de difícil compreensão para crianças pequenas (até 5 anos). Torres (2002) assume “que a criança só concebe a morte como um fenómeno irreversível a partir do estágio das operações concretas, mais ou menos aos sete anos de idade”, sendo que, Machado (2006) acrescenta que “somente entre os nove e os doze anos, na transição da infância para a adolescência, é que se interioriza a morte como um fenómeno universal, irreversível e comum a todos os seres vivos”;

A reação das crianças é muito variável: depende da sua idade, da ligação que tinha com a pessoa ou animal que perdeu, depende da sua cultura e estrutura familiar, ou da forma como recebeu a notícia, contudo, a verdade é sempre a melhor opção. As omissões ou a mentira apenas adiam o sofrimento e podem desenvolver sentimentos de angústia e culpa na própria criança.

O luto apresenta-se por fases, embora seja vivido por cada indivíduo de forma diferente e distinta.
A primeira fase, é caraterizada pelo choque, apatia, desamparo, desequilíbrio e descrença. É usual que, nesta fase, ocorra uma negação inicial da realidade e que o indivíduo opte pelo isolamento.
A segunda fase, é caraterizada pela agitação física e pelo sofrimento psicológico. É comum que o indivíduo anseie reencontrar a pessoa perdida e procure memórias e objetos particulares da pessoa perdida.

A terceira fase, é caraterizada pelo desespero e depressão quando se reconhece a perda. Trata-se da fase mais dolorosa e difícil de superar.

Por fim, a quarta fase é caraterizada pela recuperação e aceitação da perda. A compreensão de que as perdas são inevitáveis, acaba por ser um elemento facilitador para a entrada nesta última fase do luto.

É importante estarmos atentos aos sinais que uma criança pode apresentar quando está em processo de luto e como o adulto pode reagir:

  1. Comportamentos diferentes e preocupantes como, regressões no desenvolvimento, perda de interesse em atividades que costuma gostar de fazer, não querer ir para a escola, dificuldades em dormir ou comer, medo de estar sozinha ou isolar-se muitas vezes dos amigos, ou até imitar a pessoa ausente;
  2. É importante perceber junto da criança o motivo desta alteração de comportamento;
  3. Deve ser respeitado o silêncio da própria criança;
  4. As famílias devem falar sobre a morte, sem pudores nem medos de melindrar a criança.

Nem todas as perdas são encaradas pela criança como algo muito dramático. A maioria das vezes, são os adultos que não estão preparados para lidar com a perda e por vezes é necessário a intervenção de um acompanhamento especializado a nível psicológico.

Inês Tapadas
Autor:

Psicóloga Clínica - Clínica da Educação

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